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Visão Brasil 2050 – tornando-se a quinta maior economia do mundo até 2050

Visão Brasil 2050 – tornando-se a quinta maior economia do mundo até 2050

julho 1, 2026

Reformas estruturais e megatendências globais poderiam dobrar a taxa de crescimento do Brasil até 2050.

Estudo elaborado em colaboração com William B. Jones Jr. – Consultor Sênior de Finanças Corporativas

Por quase cinco décadas, o Brasil cresceu apenas uma fração de seu potencial econômico. Um país com recursos naturais extraordinários, escala demográfica relevante e capacidade comprovada de inovação registrou crescimento médio anual do PIB inferior a 1% na última década – bem abaixo da média global e muito aquém das trajetórias de economias que conseguiram realizar a transição de países em desenvolvimento para países desenvolvidos. Este estudo, desenvolvido conjuntamente pela Roland Berger Brasil e pelo Roland Berger Institute, busca responder a uma pergunta direta: o que seria necessário para que o Brasil crescesse 4,0% ao ano até 2050, e o que isso significaria para o país e sua população?

Dois futuros: a escolha que o Brasil enfrenta

A diferença entre um “cenário base” e um “cenário aspiracional” do Brasil é significativa. No cenário base – que pressupõe a continuidade das condições atuais de políticas públicas e do desempenho histórico –, a economia brasileira alcançaria aproximadamente US$ 3,3 trilhões em 2050, com um PIB per capita de cerca de US$ 15 mil. Isso colocaria o Brasil em um patamar semelhante ao do Chile ou do México atuais: uma economia de renda média que não conseguiu reduzir a distância em relação ao mundo desenvolvido.

O cenário aspiracional projeta um crescimento do PIB de 4,0% ao ano, levando o PIB real para acima de US$ 6 trilhões em 2050 e o PIB per capita para aproximadamente US$ 28 mil – comparável aos níveis atuais de Portugal ou da Grécia. Nesse cenário, o Brasil subiria da atual 11ª posição para a 5ª maior economia do mundo, ultrapassando Japão, Reino Unido, França e Indonésia. Essa aspiração não é sem precedentes: ela reflete níveis de desempenho que o Brasil já alcançou anteriormente e é consistente com as trajetórias de países que concluíram a transição de economias em desenvolvimento para desenvolvidas em um período de 25 a 30 anos.

A agenda de produtividade: cinco alavancas estruturais

Alcançar um crescimento anual de 4,0% exige aproximadamente 4,0% de crescimento anual da produtividade – uma meta desafiadora, mas alcançável. Nossa análise identifica cinco alavancas fundamentais de produtividade nas quais o Brasil apresenta desempenho inferior tanto em relação a países pares de mesmo nível de renda quanto ao seu próprio potencial estrutural.

Aprofundamento de capital. O estoque de capital por trabalhador do Brasil está significativamente abaixo do observado em economias com níveis de renda compatíveis com o cenário aspiracional. Elevar a taxa agregada de investimento para aproximadamente 23% do PIB – um nível que o Brasil já alcançou anteriormente – seria necessário para reduzir essa diferença. Um fator essencial para viabilizar esse avanço é uma trajetória fiscal crível que reduza o custo de capital e restabeleça o acesso ao financiamento de longo prazo, que atualmente é praticamente inexistente no Brasil.

Qualidade regulatória. Atualmente, o Brasil ocupa a 117ª posição entre 193 países em termos de qualidade regulatória global. O custo de uma regulação inadequada é concreto: as tarifas de importação em quase 30% das categorias de produtos superam 15%, e barreiras à concorrência persistem em diversos setores. No entanto, o Brasil demonstrou, por meio de sua própria experiência, o impacto que uma melhor regulação pode gerar. O Novo Marco Legal do Saneamento de 2020 impulsionou um aumento de 10 a 15 vezes nos investimentos privados em cinco anos. O sistema de pagamentos Pix trouxe dezenas de milhões de cidadãos anteriormente sem acesso ao sistema bancário para o sistema financeiro formal praticamente da noite para o dia. Esses não são exemplos isolados – são provas de conceito.

Efetividade governamental. A paralisação de projetos de infraestrutura, a ineficiência no desembaraço aduaneiro e os custos do sistema judiciário, que representam 1,3% do PIB – contra uma média de 0,3% na União Europeia –, atuam como entraves persistentes à produtividade do setor privado. Novamente, a própria trajetória do Brasil oferece uma visão alternativa: a plataforma de serviços digitais gov.br atende atualmente quase 170 milhões de usuários com mais de 4.000 serviços públicos, e o tempo de espera para análise de patentes foi reduzido de oito para três anos entre 2016 e 2024 por meio de melhorias simples de processos.

Redução da informalidade no mercado de trabalho. Trabalhadores informais operam com aproximadamente 25% do nível de produtividade dos trabalhadores formais, enquanto empresas informais sobrevivem evitando custos regulatórios – deslocando artificialmente concorrentes mais produtivos e que cumprem a legislação. O Brasil apresentou avanços relevantes: a taxa de informalidade caiu de aproximadamente 60% em 1981 para 38% em 2025, impulsionada por programas como o regime do Microempreendedor Individual (MEI) e a implementação da emissão de notas fiscais eletrônicas. No entanto, o cenário aspiracional exige uma redução adicional de 10 pontos percentuais – uma meta que, com base nas pesquisas disponíveis, aumentaria a produtividade agregada do trabalho em aproximadamente 10,5% ao longo de 25 anos.

Qualidade da educação. O avanço do Brasil no acesso à educação ao longo das últimas cinco décadas foi real: a taxa de analfabetismo caiu de 30% para 5%, e o número de graduados no ensino superior aumentou mais de dez vezes. O desafio agora está na qualidade. As notas do PISA permanecem praticamente estagnadas desde o início dos anos 2000 – porém, as evidências de que uma melhoria rápida é possível vêm do próprio Brasil. O Ceará, um dos estados mais pobres do país, alcançou a segunda maior pontuação nacional em indicadores de desenvolvimento educacional em 2023, superando estados com PIB per capita duas a três vezes maior. A excelência na educação é resultado de compromisso institucional e práticas de gestão – não de riqueza. Nossa análise das cinco alavancas leva consistentemente à mesma conclusão: não existem impedimentos estruturais que impeçam o Brasil de optar por implementar melhores condições para o crescimento da produtividade.

Megatendências globais e a posição estrutural do Brasil

As reformas estruturais, por si só, não explicam totalmente o cenário aspiracional. Quatro megatendências globais, extraídas do Trend Compendium 2050 proprietário do Roland Berger Institute, criam ventos favoráveis adicionais e significativos para a economia brasileira até 2050.

O aumento da demanda global por alimentos exigirá uma expansão significativa das terras agricultáveis em todo o mundo. O Brasil está posicionado para suprir aproximadamente 40% dessa demanda adicional, podendo aumentar suas exportações agrícolas de cerca de US$ 144 bilhões atualmente para aproximadamente US$ 500 bilhões em 2050 – um crescimento de cerca de 3,5 vezes. Esse crescimento não se baseia apenas na disponibilidade de terras, mas também em décadas de inovação científica na agricultura tropical, adoção de tecnologias de precisão e desenvolvimento de bioinsumos.

A transição energética global representa um segundo vento favorável. O Brasil já gera aproximadamente 90% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis. Sua posição competitiva em biocombustíveis – área em que figura entre os dois maiores produtores do mundo – o posiciona para atender até 30% da demanda global projetada por biocombustíveis em 2050, potencialmente alcançando uma indústria nacional próxima de US$ 200 bilhões em receitas. Simultaneamente, a base de energia renovável do Brasil torna o país uma localização cada vez mais atrativa para infraestruturas digitais intensivas em energia.

A posição do Brasil em minerais críticos representa uma terceira vantagem, cada vez mais estratégica. O país detém aproximadamente 95% das reservas globais de nióbio, 25% das reservas de grafite e 23% das terras raras – tornando-se o segundo maior detentor de reservas de minerais críticos do mundo, atrás apenas da China. As exportações totais de minerais poderiam crescer de quatro a seis vezes até 2050. A quarta megatendência – a mudança do poder econômico para mercados emergentes – posiciona o amplo e digitalmente sofisticado mercado consumidor brasileiro para um crescimento de quatro vezes no consumo discricionário per capita no cenário aspiracional.

"A escolha entre 1,5% e 4,0% de crescimento não é técnica – é uma questão de ambição nacional."
Pedro Guimaraes
Senior Partner, Managing Partner Brazil
São Paulo Office, South America

Uma questão de ambição nacional

As implicações completas do cenário aspiracional vão além dos indicadores macroeconômicos. A mortalidade infantil poderia cair pela metade. A expectativa de vida poderia aumentar em cinco anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil poderia atingir 0,90 — o mais alto da América Latina. Esses resultados não são subprodutos de condições favoráveis. Eles são fruto de uma escolha deliberada e sustentada de implementar reformas que são bem compreendidas, mas que frequentemente têm sido adiadas.

O Brasil já possui os fundamentos estruturais que outros países não tinham ao tentar essa transição. A pergunta que nosso estudo coloca é se o país escolherá ativá-los — e qual será o custo para as futuras gerações caso isso não aconteça.

A um crescimento anual de 4%, o PIB do Brasil poderia atingir US$ 6 trilhões até 2050 – o dobro do cenário base – elevando o país à 5ª posição no ranking global.

Gostaríamos de agradecer a Carina Pimenta (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), Carlos Alexandre da Costa (ex-Ministério da Economia), Cesar Carvalho (Wellhub), Luiz Barros (Mombak), Morten Rossé (Lombard Odier), Pedro Fiúza (Servtec Engenharia) e Regina Silvia Pacheco (Fundação Getúlio Vargas) por compartilharem generosamente seu tempo, perspectivas e profundo conhecimento. Suas contribuições moldaram os temas explorados ao longo deste estudo e fortaleceram de maneira significativa suas conclusões.

FAQ
Qual é o cenário base para a economia do Brasil em 2050?

Sob as tendências atuais, o PIB do Brasil alcança USD 3,3 trilhões e o PIB per capita aproximadamente USD 15.000 – comparável ao Chile atual.

O que o cenário aspiracional exige?

Crescimento de produtividade de aproximadamente 4,0% ao ano, impulsionado por reformas em cinco alavancas: capital, regulação, governança, informalidade e educação.

Por que a reforma regulatória é tão crítica para o crescimento do Brasil?

O Brasil ocupa a 117ª posição global em qualidade regulatória. Evidências mostram que uma regulação bem desenhada pode multiplicar rapidamente o investimento privado.

Como a posição agrícola do Brasil cria uma oportunidade de crescimento?

O Brasil poderia suprir cerca de 40% da demanda incremental global por alimentos até 2050, com exportações agrícolas crescendo para aproximadamente USD 500 bilhões.

Qual é o papel da transição energética no futuro do Brasil?

O Brasil gera cerca de 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis e está entre os dois maiores produtores globais de biocombustíveis – uma posição forte na era da transição energética.

Quão significativas são as reservas de minerais críticos do Brasil?

O Brasil detém cerca de 95% das reservas globais de nióbio e posições relevantes em grafite, terras raras e lítio – sendo o segundo maior detentor de reservas de minerais críticos no mundo.

O que o cenário aspiracional significaria para a qualidade de vida?

A mortalidade infantil poderia cair pela metade, a expectativa de vida subir para 81 anos e o IDH do Brasil alcançar 0,90 – o mais alto da América Latina.

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Visão Brasil 2050 – tornando-se a quinta maior economia do mundo até 2050

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O estudo Visão Brasil 2050 da Roland Berger apresenta como reformas estruturais e megatendências globais poderiam impulsionar o Brasil a se tornar uma das cinco maiores economias do mundo.

Published julho 2026. Available in
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Senior Partner, Managing Partner Brazil
São Paulo Office, South America
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